Formações Javé Nissi - Padre Marcial-Ecumenismo e Renovação
0 comentários Postado por Ricardo Gonzales às 04:101. Um pequeno testemunho
Neste ano, no 1º Encontro de Irmãos Evangélicos e Católicos de Lavrinhas – SP, em 30 de abril a 01 de maio deste ano, vários cristãos, de várias denominações, todos participantes da experiência pentecostal, impressionou-me muito o testemunho de um pastor que afirmava ser o “derramamento do Espírito o meio para unir os cristãos”.
Narrou na oportunidade uma parábola, que procurarei dizer como me recordo:
Dizia ele que Deus derramou seu Espírito em Pentecostes e formou como se fosse um lago, a Igreja, onde todos os patos nadavam. Mas os homens vieram e fizeram diversas cercas separando os patos. O Senhor Deus pediu insistentemente que se retirassem as barreiras, mas os homens desobedeceram.
Então o Senhor derramou mais abundantemente a Água do Espírito fazendo com que o nível sobrepujasse as cercas. E asim com o lago, a Igreja, cheio, transbosdante do Espírito, não tinha mais cercas separando os patos.
E ele concluía com uma grande risada: “Pelo derramamento do Espírito a pataiada toda vai nadar junta. É o pato católico, é o pato luterano, é o pato da assembléia, a pataiada toda nadando junta”.
2. RCC e ecumenismo
“Toda a história e experiência da Renovação Carismática na Igreja Católica indica que a renovação no Espírito tem um chamado ecumênico especial, O mesmo Espírito de Pentecostes que chama à evangelização inspira o cristianismo a promover a unidade de todos os cristãos e a desenvolver a paz e a justiça da humanidade. A divisão entre os cristãos ‘contradiz abertamente a vontade de Cristo e se constitui em escândalo para o mundo, como também prejudica a... pregação do Evangelho a toda criatura" (UR 1). A urgência do chamado a evangelizar indica a urgência e o chamado para restabelecer a unidade entre todo o povo de Deus’” .
O fundamento da unidade entre os cristãos deve ser visto no sacramento do batismo: "Pelo sacramento do batismo somos verdadeiramente incorporados em Cristo e à sua Igreja e regenerados em vista da vida nova no Espírito”
3. O “ministério da reconciliação” a serviço da unidade dos cristãos:
O diálogo ecumênico na RCC sofreu “certo esfriamento” durante esses anos em que o movimento esteve presente na Igreja. A partir da iniciativa da Comunidade de Jesus, no Brasil, através de Mateo Calisi, fundador da comunidade na Itália, e com o apoio da CNBB, realizou-se em Lavrinhas um1º ENCONTRO DE IRMÃOS EVANGÉLICOS E CATÓLICOS DE LAVRINHAS de 30 abril a 01 maio 2008. O Congresso Teológico Pastoral da RCC pretende dar continuidade a essa reflexão.
O Encontro de Lavrinhas:
Às vésperas do centenário da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (1908-2008), cento e setenta pessoas – de aproximadamente vinte Comunidades cristãs diferentes – se uniram em adoração, escuta da Palavra de Deus e testemunho da busca fraterna da unidade, conforme a prece de Jesus: “Pai... que todos sejam um, para que o mundo creia” (Jo 17,21-23).
Além do Batismo que congrega a todos no Corpo de Cristo, os participantes tinham em comum sua experiência carismática. Em uníssono, testemunhavam a renovação que o Espírito Santo suscitou em suas vidas e ministérios pastorais, crendo firmemente que tal experiência pode favorecer a unidade dos cristãos, conjugando santidade e unidade no discipulado do Evangelho.
Provenientes na sua maioria de várias cidades brasileiras, entre os participantes do Encontro de Lavrinhas estavam também irmãos e irmãs da Itália, Inglaterra, Estados Unidos, Chile e Argentina. O propósito desta presença foi partilhar o caminho já percorrido naqueles países, entre católicos e pentecostais de diferentes denominações. Além dos Congressos católico-pentecostais realizados em muitos países, a experiência mais próxima do Brasil vem da Argentina: trata-se da Comunhão Renovada entre Evangélicos e Católicos no Espírito Santo – CRECES. Com sua experiência e ardor, os irmãos e irmãs da CRECES testemunharam que o caminho da unidade pode ser trilhado, a partir da oração ecumênica. O chamado “ecumenismo espiritual” tem sido vivido por eles de modo intenso e comprometido, inaugurando vias inéditas de testemunho e forjando uma plataforma fraterna para futuros desdobramentos no diálogo católico-pentecostal.
De certo modo, foi algo similar que se deu durante os dois dias do Encontro de Lavrinhas, no Brasil. Os participantes adoravam o Deus Uno e Trino, expressavam com alegria seu louvor, oravam uns pelos outros e ouviam a Palavra de Deus ministrada pelos preletores. Foi interessante notar que – usando menos a palavra “ecumenismo” e muito mais a palavra “unidade” – todos vivenciaram momentos preciosos e espontâneos do que se tem caracterizado como encontro ecumênico.
Como caracterizar o Encontro de Lavrinhas? Batismal, fraterno, generoso, intenso, alegre, comprometido, esperançoso, discipular, bíblico, cristocêntrico, histórico. Na voz de muitos participantes, um momento oportuno da graça, um kairós.
A seguir o texto do Dr. Pe. Marcial Maçaneiro SCJ apresentado após o Encontro de Lavrinhas (citado acima), excluído o testemunho pessoal, que aqui, nesta “de provocação” inicial, foge do propósito.
(1) Queridos irmãos e irmãs, graça e paz no Senhor Jesus sejam com todos vocês! Começo esta minha preleção (que assume também o tom de testemunho) remontando a 1Cor 12 e Rm 12 – em cujas linhas o apóstolo Paulo discorre admiravelmente sobre a “unidade na diversidade” do Corpo de Cristo. Vemos claramente que – no texto, bem como na história – diversidade não significa necessariamente “divisão”, como unidade não significa necessariamente “uniformidade”. Todos sabemos que a Igreja de Cristo é chamada a ser universal (katholiké ekklesía) sem, contudo, tornar-se uniforme.
(2) A matriz primeira e última desta “unidade na diversidade” não é um instituto religioso humano, nem mesmo uma regra apostólica. Mas a vida do Pai e do Filho, no Espírito Santo: a Trindade, meus queridos, é una ediversa na sua perfeita comunhão. O Pai não é o Filho nem o Espírito; o Espírito não é o Pai nem o Filho; o Filho não é o Pai nem o Espírito. E, contudo, os três partilham a mesma divindade, a mesma glória, a mesma honra, a mesma santidade e onipotência, sem confusão nem divisão. Professamos Um e Trino Deus. Eis, pois, a matriz de nossa comunhão: diferentes, mas unidos; distintos, mas nunca separados; de maneira que a comunhão resulta da união dos diferentes no único Corpo de Cristo. Como dizem os cristãos do Oriente: a Igreja é ícone da Trindade.
(3) Disto decorre que a unidade que tanto buscamos – dom de Deus que hoje queremos acolher para nela progredir – não diminui ou se perde com a diversidade de dons e ministérios, de ênfases e linguagens que a Igreja reuniu ao longo dos séculos. A diversidade favorece a comunhão, sempre que se comporta como “diversidade reconciliada”. A comunidade apostólica o experimentou quando Paulo foi pregar aos gentios, quando Pedro teve de sentar-se à mesa com os gregos, quando a Igreja discerniu que o Evangelho era para toda raça, língua e nação (cf. At 15,22-29; At 17,19-23; Gal 2). Pentecostes é o grande marco desta diversidade em comunhão, quando judeus, persas, árabes, gregos, líbios, romanos, egípcios e prosélitos de origens diferentes ouviam a Palavra Deus da boca de Pedro, cada qual na própria língua (cf. At 2,5-11 na linha de Joel 2,28-29).
(4) A diversidade fere a unidade quando a falta de reconciliação entre os membros põe em risco a comunhão do inteiro Corpo. Assim, o que o Espírito Santo promove entre nós é uma “diversidade reconciliada” fiel à proposta de Romanos 12, como também de João 15 – onde a metáfora do Corpo dá lugar à metáfora da Videira e os ramos. Notem, queridos irmãos, que no texto joanino Jesus não diz “eu sou o tronco”, mas sim “eu sou a Videira verdadeira”, indicando que Ele é a união de tronco e ramos, vivificados pela mesma seiva interior que é o Espírito Santo. Daí as noções bíblica, teológica e prática de koinonia (em grego) oucommunio (em latim): a co-participação dos santos na Santidade de Deus; a co-cidadania dos santos na Jerusalém celeste; a conciliação dos santos no Corpo de Cristo, com toda a riqueza de dons, serviços e carismas.
(5) O magistério da Igreja Católica tem insistido nisso desde o Concílio Vaticano II (cf. Unitatis redintegratio 2 e 16; também Ut unum sint 61). O Bispo de Roma Bento XVI declarou: “A unidade não significa uniformidade em todas as expressões da teologia e da espiritualidade, nas formas litúrgicas ou na disciplina”, mas requer o “respeito pela plenitude multiforme da Igreja” (Discurso por ocasião do encontro ecumênico no palácio episcopal de Colônia de 19-8-2005, e Discurso à delegação do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla de 30-6-2005, respectivamente).
(6) Recordo ainda um princípio bíblico importante: a diversidade de dons e ministérios na Igreja concorre para a unidade, porque é fruto da ação do Espírito Santo (cf. Ef 4,7-13; Rm 12,4-11). Isto pede de nossas Igrejas o exercício sincero e inteligente do discernimento (nos níveis histórico, doutrinal e espiritual) para reconhecer os fatores de divisão – supostamente saudáveis no mosaico de elementos do Corpo de Cristo – mas na verdade perniciosos, porque não procedem do Espírito e sim da limitação humana. Nisto percebemos a dimensão de pecado que a divisão comporta, quando causada pelas nossas infidelidades e desamor mútuo.
(7) No âmbito ecumênico, cresce cada vez mais a consciência de que a promoção da unidade passa pela reconciliação dos cristãos. Além das questões teológicas pendentes (muitas das quais em vias de solução mediante o método do diálogo de convergências), o que nos falta é reconciliação: aceitação mútua, reconhecimento do tesouro de graça da outra comunidade, gratidão por quem evangelizou antes de nós, acolhimento de carismas complementares, estima recíproca e perdão das faltas passadas.
(8) Neste aspecto, observo que nasce entre nós uma nova geração: a geração da cura. Pois temos constatado o quanto corações feridos pela divisão se sentem bloqueados e impedidos no diálogo ecumênico. Quem foi ferido pela divisão, pelo proselitismo agressivo, pela acusação recíproca e até pelo ódio religioso, traz uma chaga profunda – uma chaga espiritual – registrada na memória e nos afetos. Neste caso, o diálogo interconfessional requer como condição prévia a cura da memória – a purificação das feridas passadas, que permite o acolhimento da graça numa condição nova. A isto chamamos “reconciliação”. Parece-me evidente que o Senhor tem-nos agraciado com uma geração curada, que – embora sinta a dor das divisões – não se limita diante dela e cresce em esperança e ação no caminho da unidade cristã. A dor existe, mas a ferida cicatrizou. Esta geração jovem, porém, precisa dos “pais” (pastores, presbíteros, bispos e teólogos) para avançar na via da comunhão, amparada pelos resultados que se consolidaram antes.
(9) Dito isto, proponho que ouçamos, juntos, a Palavra de 2Cor 5,18-20: “Ora, tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra de reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus” (Bíblia, tradução João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada).
(10) Em Efésios 2,11-22 vemos a dimensão histórica desta reconciliação: Deus, de dois povos (judeus e gentios) fez um só em Cristo, criando a nova humanidade, no vínculo da paz. A partir daí, todos – judeus e gentios – formamos o novo Povo de Deus e temos acesso ao Pai, por Jesus Cristo, no mesmo Espírito (cf. vv. 14-18). Já em Colossenses 1,13-23 vemos a dimensão cósmica da mesma reconciliação: “Aprouve a Deus que nele (Cristo) habitasse toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus” (vv. 19-20). A reconciliação, portanto, tem a extensão da redenção: até onde o Redentor alcança a humanidade e o mundo com a justificação, até lá se estende igualmente sua reconciliação.
(11) Neste horizonte reconciliado – que une judeus e gentios, terra e céus – a Igreja foi estabelecida por Cristo como sinal, instrumento ou (na linguagem patrística) sacramento de reconciliação: “Deu-nos o ministério da reconciliação; confiou-nos a palavra da reconciliação”. A história passada e presente, que ora estamos testemunhando, mostra que – por vontade e mandato do Senhor – a Igreja, seu Corpo, serve à salvação da humanidade e do mundo como diaconisa da reconciliação. Não se trata de uma opção secundária ou um adendo à missão eclesial. Trata-se de um verdadeiro ministério ou diaconia, como diz Paulo na expressão grega: diakonía tès katallàghes (2Cor 5,18).
(12) Traduzindo isto para o âmbito ecumênico, cremos que o serviço à unidade da Igreja seja um modo específico de exercer este ministério de reconciliação. O termo grego é claro quando diz diakonía – indicando que tal serviço dá trabalho, compromete, solicita boa vontade e adesão, requer disposição sincera e metodologia adequada. A unidade do Corpo de Cristo resulta da graça que nos reconcilia, fazendo da Igreja uma comunidade de reconciliados. Então, sim, a Igreja brilhará no mundo como sinal – histórico, místico e cósmico – da reconciliação que Cristo nos conquistou, justificando-nos e dando-nos acesso ao Pai, num só Espírito.
(13) Na agenda ecumênica temos elementos teológicos e doutrinais, temos elementos práticos e missionários – sempre alicerçados sobre a base comum do nosso Batismo e sob a comum inspiração do Paráclito. Porém, o progresso de cada elemento depende do quanto somos reconciliados em Cristo e do quanto vivemos reciprocamente tal reconciliação. Muitas vezes, a falta de unidade não indica falta de doutrina, mas falta de reconciliação. Creio que este exercício ou diaconia possa desenvolver-se muito com a contribuição pentecostal-carismática. Pois a reconciliação é obra de Cristo no Espírito Santo, e onde está o Espírito supõe-se que seja derramada a graça da reconciliação que Cristo nos garantiu na sua Páscoa. Seria extremamente promissor que o movimento pentecostal-carismático – perpassando Igrejas, Comunidades e ministérios vários – exercitasse este ministério de reconciliar os cristãos no único Corpo de Cristo, sob a graça do Espírito Santo. Não é esta a mensagem universal de Pentecostes?
[...]
(17) Agrada-me o que disse, com justeza, o teólogo franciscano Boaventura – ao falar, no século XII, sobre os dons do Espírito Santo na Universidade de Paris (cf. BUENAVENTURA. “Colaciones sobre los siete dones del Espíritu Santo”, in Obras de San Buenaventura, Madrid, BAC, p. 431ss). Boaventura diz que a Teologia é um saber que se nutre da Revelação pelo dom de ciência. Pois este dom nos assiste triplamente na busca da Verdade: 1) ciência filosófica: buscar a Verdade enquanto cognoscível. 2) ciência teológica: buscar a Verdade enquanto crível. 3) ciência gratuita: buscar a Verdade enquanto amável. E esta Verdade, cognoscível, crível e amável é Jesus Cristo “caminho, verdade e vida” (Jo 14,6).
(18) Além do mais, tenhamos sempre presente que a vida carismática supõe a vida teologal em fé-esperança-amor (cf. 1Cor 13,13). Essas três virtudes se chamam apropriadamente “teologais” porque, através delas, a própria Trindade habita e opera em nós. E como pode a Trindade habitar em criaturas tão pequenas e finitas? Pelo Amor divino em Pessoa: o Espírito Santo, hóspede da alma, é o doador da vida teologal – Aquele que nos introduz na vida divina, e introduz a vida divina em nós. Por isso, Agostinho sugeriu que nosso ser possui uma “interioridade trinitária”, pois nós somos uma analogia finita da Trindade infinita (imago Dei). Humanos, somos movidos interiormente pelo intelecto, pelamemória e pela vontade – chamadas classicamente de “três potências da alma”. Ora, a Trindade que nos habita pelas virtudes teologais deseja viver em comunhão plena com nosso ser, de modo que as três virtudes buscam nossas três potências interiores: 1) A fé busca a inteligência. 2) A esperança procura a memória. 3) O amor busca a nossa vontade. Assim, aplicamos nossa inteligência à fé; oferecemos nossa memória à esperança; e entregamos nossa vontade ao amor.
(19) Vejam, queridos irmãos e irmãs, quanto podemos aprender e crescer com esta intuição teológica – visto que Teologia é justamentefides quaerens intellectum (a fé em busca da inteligência). Todo o fluir dos carismas (efusos) se alicerça sobre a vida teologal (infusa) com a adesão da nossa inteligência, memória e vontade (cf. Mc 12,30). Pode haver vida teologal sem vida carismática; mas não pode haver vida carismática sem vida teologal. E ambas procedem do Espírito Santo.
(20) Em nosso serviço de reconciliação dos cristãos, não tenhamos receio do estudo bíblico, da cultura histórica e teológica, como instrumento à disposição da graça. Deus não exige a humilhação da inteligência no ato de fé. O que Ele pede, é a humildade – distinta da humilhação. Pois admitir o Mistério é também um ato de inteligência. Paulo diz que quando nos expressamos em línguas, louvamos com nossos afetos e também com nossa inteligência (cf. 1Cor 14,15). E Pedro nos exorta a dar razões à esperança que professamos na fé (cf. 1Pd 3,15). Hoje, o Senhor pede de nós a reconciliação entre “ecumenismo espiritual” e “ecumenismo doutrinal”, entre Ocidente e Oriente, entre nosso pastorado e o governo das Igrejas, entre dons carismáticos e dons hierárquicos, visto que “toda boa dádiva e todo dom perfeito provém do alto, descendo do Pai das luzes, em Quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1,17).
MAÇANEIRO Marcial SCJ (dehoniano) é brasileiro. Doutor em teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Assessor da CNBB para o diálogo ecumênico e inter-religioso. Docente de teologia na
Faculdade Dehoniana e na Pós-graduação em Catequética da Universidade Católica de Goiânia. Pregador e editor da revista “Teologia em Questão”.
O texto citado: “Pai... que todos sejam um” (Jo 17,21) – 1º ENCONTRO DE IRMÃOS EVANGÉLICOS E CATÓLICOS DE LAVRINHAS (Brasil) 30 abril – 01 maio 2008: MEMÓRIA & DISCERNIMENTO
Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso CNBB
Muitos ateus se comprazem em afirmar que os crentes são pessoas iludidas pela idéia da existência de Deus. Muitos discordarão desta alegação, inclusive o autor deste artigo. Mas este texto não tem como foco analisar a suposta ilusão daqueles que crêem e sim, analisar uma ilusão freqüente compartilhada por muitos daqueles que não crêem: a idéia de que Deus é irrelevante para a questão do sentido da vida. Será que se pode declarar a morte de Deus e, mesmo assim, alegremente afirmar que a vida possui sentido? Os cientistas afirmam que o universo está fadado a morrer. Como ele está em expansão desde o Big Bang, tudo que nele existe está se tornando cada vez mais distante. Com o passar do tempo, as estrelas perderão seu calor e irão morrer. Deste modo, o universo se tornará cada vez mais frio, e sua energia irá se esgotar. O espaço ficará repleto de cadáveres estelares que serão tragados por buracos negros. E até mesmo os buracos negros serão consumidos e irão se evaporar. Assim, todas as coisas estão condenadas a desaparecer sob os escombros de um mundo agonizante. Tudo o que foi construído pelo homem desaparecerá sem deixar nenhum vestígio. Não haverá nenhum ser vivo para contar alguma história e nenhum outro para ouvi-la. “Tudo aquilo que já formou você, as montanhas, as estrelas e tudo o mais será uma coisa só: um mar escuro de energia. Um mar cada vez mais frio, inerte. Sem nada nem ninguém para acender a luz.” [1] Neste cenário, faz alguma diferença fundamental o fato de o universo algum dia ter existido? Quer o universo tenha surgido ou não, no final das contas o resultado é o mesmo: um vazio negro, frio e inerte. Assim, como tudo acaba em nada, não faz diferença nenhuma se algo existiu ou não. Portanto, o universo não tem um sentido fundamenta [2]. Este mesmo raciocínio pode ser aplicado ao ser humano. Se Deus não existe, o homem está condenado a desaparecer como se nunca houvesse existido. Deste modo, no final das contas, não fará diferença nenhuma o fato de algum homem ter surgido sobre a face da terra. A humanidade, portanto, não tem mais importância do que um enxame de mosquitos ou uma vara de porcos, pois seu fim é o mesmo. O mesmo processo cósmico cego e mecânico que a vomitou no início um dia acabará por engoli-la [3]. No final, todos os esforços humanos terão sido em vão. A contribuição dos cientistas para o avanço da ciência, os esforços dos pacifistas para promover a paz, as pesquisas médicas para descobrir a cura de doenças, o trabalho dos humanitaristas para erradicar a pobreza – no final, tudo o que custou tanto para ser conquistado, muitas vezes à custa de inúmeras vidas, desaparecerá como se nenhum esforço houvesse sido realizado. Desta forma, tudo acaba em nada e, portanto, o homem é nada. O filósofo William Lane Craig apresenta o quadro em que estamos inseridos: Se cada pessoa deixa de existir quando morre, que sentido fundamental pode ser dado à sua vida? Realmente faz diferença se ela existiu? Pode ser dito que sua vida foi importante porque influenciou outros ou afetou o curso da história. Mas isso mostra apenas um significado relativo da sua vida, não um sentido fundamental. Sua vida pode ter importância relativa a certos acontecimentos, mas qual é o sentido fundamental desses acontecimentos? Se todos os acontecimentos não têm sentido, então que sentido fundamental pode haver em influenciá-los? No final das contas, não faz diferença.” [4] Mesmo assim, muitos ateus insistem em dizer que a vida possui propósito. “A vida não vem com um manual de instruções indicando seu sentido”, dizem eles. “Somos nós que o criamos. E é isto o que faz a vida tão maravilhosa. Podemos escolher o que queremos, que sentido e que rumo queremos dar a ela.” Inventar um sentido para a vida pode até ajudar uma pessoa a se sentir bem. Mas esta invenção não passa de um auto-engano para ajudar a suportar a dura realidade da existência, visto que a vida continua sem sentido em termos objetivos do mesmo jeito. Se Deus não existe, o que é o homem? Ele é apenas um subproduto acidental da natureza que evoluiu recentemente em um ponto de poeira infinitesimal perdido em algum lugar de um universo hostil e sem sentido e que está condenado a perecer individualmente e coletivamente em um espaço relativamente curto de tempo[5]. Nesta ordem de idéias, homem é mero produto do acaso e não há propósito nenhum em sua existência. E nenhuma tentativa de se inventar um sentido para a existência poderá mudar estes fatos. Portanto, inventar um sentido para sua vida não passa de um exercício de auto-engano. Além de tudo, o universo não adquire sentido apenas porque alguém lhe atribui algum. Suponha que duas pessoas dêem sentidos diferentes ao universo. Quem tem razão? A resposta, é claro, nenhuma das duas. O mundo sem Deus permanece sem sentido em termos objetivos, não importa o que as pessoas pensem. Assim, atribuir um sentido ao universo não passa de um exercício de auto-engano[6]. Mas por que esta discussão sobre o sentido da vida é tão importante? A resposta é que, para ser feliz, o homem necessita de um sentido para sua existência. Por quê? Porque o homem se alimenta de auto-estima. Uma auto-estima baixa pode levar facilmente à depressão e ao suicídio. E dificilmente alguém pode manter elevada sua auto-estima se descobrir que sua vida não tem nenhum propósito. Assim sendo, se Deus não existe, a vida não tem sentido. E se a vida não tem sentido, o homem que possui consciência desta verdade terá uma séria dificuldade para ser feliz. Portanto, a existência de um Deus amoroso é uma peça importante para a construção da felicidade. A única solução que um ateu pode oferecer diante do absurdo da vida sem Deus é enfrentar este absurdo e procurar viver com coragem. O filósofo ateu Bertrand Russell, por exemplo, sugeriu que devemos construir nossas vidas “sob o firme fundamento do desespero incessante”: Que o homem é o produto de causas que não possuíam conhecimento do fim que estavam alcançando; que sua origem, seu crescimento, suas esperanças e crenças, seus amores e temores, não passam do resultado de colisões acidentais de átomos; que nenhum fogo, nenhum heroísmo e nenhuma intensidade de pensamentos e emoções podem preservar uma vida além do túmulo; que todo labor de todas as eras, todas as devoções, toda inspiração, todo brilhantismo do gênio humano estão fadados à destruição na grande morte do sistema solar e que todo o templo das conquistas humanas deve ser inevitavelmente soterrado debaixo dos escombros de um universo em ruínas – todas estas coisas, se não estão além das controvérsias, são quase tão certas que nenhuma filosofia que as rejeite pode ter esperanças de se sustentar. Somente sobre a base destas verdades, somente sobre o firme fundamento do desespero incessante, pode-se construir seguramente, de agora em diante, a habitação da alma.” [7] Na hipótese de que o ateísmo seja verdadeiro, estamos diante deste quadro terrível sobre a condição humana. Mas se o Cristianismo é verdadeiro, então existe um poder de amor por trás do universo. Um poder pessoal de amor tão grande que todos os homens e mulheres, velhos e crianças são especiais para ele. Ele ama tanto o ser humano que há um significado em cada vida. Ele realmente sabe sobre a queda de todos os pardais e, até mesmo, os cabelos de cada pessoa estão contados. Por derradeiro, este texto não realizou nenhum esforço para demonstrar a existência de um Criador Divino. Também não houve nenhuma tentativa para se refutar a idéia de que a crença no sobrenatural é uma ilusão. Para se atingir estes objetivos seria necessário um espaço muito maior. Por isso, o propósito deste artigo foi simplesmente o de enunciar as alternativas de forma clara. Se Deus não existe, a vida é um absurdo e o homem deve construir sua existência sobre o “firme fundamento do desespero incessante”, conforme palavras do filósofo ateu Bertrand Russell. Se o Deus cristão existe, todas as pessoas são especiais para ele e possuem valor e significado. É possível demonstrar racionalmente que o cristianismo é uma cosmovisão mais plausível do que o ateísmo[8]. No entanto, mesmo que as evidências para o ateísmo e para o cristianismo fossem equivalentes, uma pessoa racional deveria escolher o último. Todo ser humano deve buscar a verdade e evitar o erro. Mas, se as evidências que suportam as duas cosmovisões são ambíguas, não parece sensato preferir o desespero e a ausência de sentido do que uma vida com propósitos.
A AÇÃO ESPIRITUAL O fundamento de nosso caminho - fundamento que será clarificado tanto para aqueles que apenas estão no início, quanto para aqueles que já tomaram a resolução de continuar a caminhada até o final - é a descoberta de um amor verdadeiro e ardente a Deus, de uma fé livre que não tenha outra preocupação que somente Deus, de um abandono confiante à vontade de Deus, de uma disponibilidade constante em renegar-se a si mesmo. Este fundamento é, na realidade, o conteúdo dos mandamentos de Deus, é o evangelho transformado em regra de vida. Esses quatro pontos nada mais são do que condições que necessária e integralmente devem fazer parte de nossa existência antes de iniciar o caminho. Contudo, é necessário que nossa alma, de qualquer modo, esteja aberta a eles e deles provemos o desejo. Em si, porém, este fundamento não basta para preparar nosso espírito, nem para garantir um caminho livre de perigos. Alcançar o fim do caminho, atingir o reino de Deus e a união com Deus, reserva ainda numerosas dificuldades. Por isso, é oportuno apoiar neste fundamento uma ação que lhe seja conatural e que se regenere continuamente. Uma ação que se realize no homem por meio de Deus, uma ação enfrentada através das tentações, as provas e as muitas dores que interna ou externamente atingem o homem, uma ação que se complete durante todo o percurso por meio da penitência, da submissão e do abandono da própria vontade em Deus. Esta ação põe à prova a força e a solidez do fundamento, delas reforçando a capacidade de influência e delas ampliando a base. Por acaso podemos esquecer o modo pelo qual Cristo exprimiu o amor que o fez aceitar os sofrimentos, e como ele aprendeu a obediência através do sofrimento, obediência até a morte? Como, ainda uma vez, seu total abandono foi posto à prova quando exclamou do alto da cruz: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? (Mc 15,34)? Podemos esquecer o modo como ele exercitou a negação de si nos sofrimentos voluntários do Getsêmani: Mas não se faça a minha vontade, e sim a tua (Lc 22,42), até o final do Tudo está consumado (Jo 19,30)? Vê-se, com clareza que, durante toda a sua vida terrena, Cristo não procurou assentar-se à direita do poder do Pai, mas sim, dele realizar a vontade. Por isso, enquanto estamos a caminho, não nos é lícito fixar o olhar em eventuais favores e dons de Deus, para consegui-los. Nem mesmo os menores favores devem se tornar objeto de exigência em nossa oração. O que nos é pedido é fazer com todo o coração a vontade de Deus e fazer dela a finalidade de nossa ação, com toda submissão e reconhecimento, quaisquer que sejam as situações que Deus permite e as circunstâncias que escolhe para nós, confiantes por estarmos sob sua proteção, aconteça o que acontecer. Sentir uma grande atração pela perfeição cristã: disso é que precisamos. É a única coisa agradável a Deus, mas deve ser uma atração conforme ao seu desejo e às modalidades por ele escolhidas. A perfeição não é o objeto de um desejo projetado num futuro obscuro, mas uma necessidade do espírito, no exato momento em que se o vive. No hoje, nós possuímos a nossa vontade, as nossas intenções e podemos oferecê-las a Deus; já o futuro, é Deus que o possui totalmente: não dispomos absolutamente dele e por isso nada podemos oferecer-lhe. Quem acredita poder oferecer seu futuro a Deus é semelhante a quem oferta um capital fictício. Nada conhecemos do futuro; não entra na esfera de nosso poder e, espiritualmente, não podemos discerni-lo. O instante que agora vivemos: eis o que possuímos da existência. No instante presente tomamos consciência de nós mesmos, podemos discernir com clareza os nossos defeitos, mas também as potencialidades não usufruídas. É também no presente que podemos contemplar, com base naquilo que verdadeiramente há em nós, a vontade de Deus relativa àquilo que nos é pedido fazer. A perfeição cristã se concretiza em nós, no hoje, em função da realidade que percebemos: ela, de fato, está em nós e, se quisermos, podemos vê-la com a mesma clareza com que agora vemos o céu sobre nós e a terra sob nós... Pelo contrário, se dermos um passo atrás para examinar nosso passado, encontramo-lo obscurecido e disperso como por um vento que nos atinge e ultrapassa, sem que possamos segui-lo ou saber para onde foi. Se fixarmos lá nossa imaginação, afundamos em nossos pensamentos, vamos ao encontro de nosso fracasso ou, pelo menos, não alcançamos a perfeição. E se buscamos possuir o futuro, nos aprisionamos na previsão de pensamentos nebulosos e obscuros que nos prejudicam a visão e impedem-nos de discernir a perfeição que Deus deseja para nós. Assim, nossa única esperança está na realidade colocada diante de nós com a finalidade de uma ação consciente; de fato, se perdemos em nós a delicadíssima percepção do presente e por indolência deixamos escapar a ocasião de agir no momento presente, o único oportuno, é a vida inteira que foge de nós. Todavia, as nossas ações, mesmo se encerram amor, fé e negação de si, abandono à vontade de Deus, de per si não nos levam a um estado de santidade nem nos predispõem a algum dom e, nem mesmo, podem fazer-nos entrar num estado de plena segurança e paz. E então, quem pode nos dar todos esses dons? Deus! O Deus que não cessa de guiar a alma dócil nos caminhos difíceis e nas provações, de obscuridade em obscuridade, entre as inquietações provocadas que, aparentemente, não têm nenhum sentido. De tal modo, fazendo-a enfrentar a realidade e aceitar provas dolorosas, guia-a e a faz atravessar o drama do mundo e a hostilidade dos malvados; deste modo, Deus a inicia naqueles dons que não chamam a atenção e numa vida de grande espiritualidade. Os dons de Deus não estão nas mãos dos anjos, nem nas alturas dos céus. Podemos encontrá-los no confronto diário que a cada dia a carne, o mundo e os homens nos impõem. Por si só este confronto não atrai o dom de Deus, mas é por causa de Deus que nos abstemos das culpas da carne e enfrentamos o mal que há no mundo e no homem. O dom da lucidez espiritual brota somente das trevas obscuras que o espírito atravessa na inquietação e no atordoamento das provas, às voltas com a realidade em que está encoberta a verdade. A alegria verdadeira e a perseverança fiel têm como fonte escondida aqueles sofrimentos e dores que o homem instintivamente rejeita. Mas, graças à paciência, o homem acaba por descobrir que nestas provações havia apenas uma aparente coerção que mascarava uma verdade clara, firme e esplendorosa, no espírito de uma alegria divina, não enganadora. O homem não pode saborear o amor divino na sua graça e imensidão, a não ser depois que seu espírito passou pela provação da hostilidade, do ódio, da provocação dos homens. Mas, sozinha, a obscuridade não produz luz alguma, assim como a tristeza, sozinha, não traz a alegria, nem ódio produz o amor. Sozinha, a terra não produz as plantas, pois é necessária a semente, semeada com atenção e cuidado. Além disso, para germinar, deve-se pôr sob a terra não uma semente qualquer, mas aquela que contém vida! De modo análogo, é necessário que o espírito esteja vivo e em estado de perfeita submissão a Deus, para que a mão misericordiosa o ponha na terra das provações, com aqueles cuidados e naquele modo exato que o ajudarão a tirar proveito da obscuridade, da dor, do desprezo e assim permitir-lhe-á comunicar o movimento de vida eterna, na qual se manifestam os atributos da eternidade: alegria, amor, paz e perseverança. Deste modo, constatamos que, para o homem a caminho, é exigido estar num estado de vigilância constante nos confrontos de toda a realidade de sua vida, voltando o olhar atento àquela verdade onipresente que há nele e que exige ação e fadiga. É pedido ao homem estar pronto para enfrentar toda circunstância que seja causa de mal-estar e de antagonismo, com uma atitude positiva que saiba reconhecer os perigos reais e tirar proveito de tudo aquilo que acontece nele e para ele. É-lhe exigido buscar em toda atitude a união com Deus, submetendo-lhe inteiramente a vontade. Sem inquietação ou perturbação, qualquer que seja a situação, e sem angústia nem hesitação, por mais prolongada que seja a prova. E tudo isso sem precipitar-se em fazer suposições sobre as causas e sem, nem mesmo, apressar-se em querer conhecer as conseqüências. QUE O NOSSO SENHOR JESUS CRISTO O REI DA GLÓRIA POSSA DERRAMAR SOBRE NÓS O ESPÍRITO SANTO AQUELE QUE NOS SANTIFICA
São Gregório de Nissa "O nascimento da nova criação (Rm 8,22)"
0 comentários Postado por Ricardo Gonzales às 10:09
O nascimento da nova criação (Rm 8,22)
Eis chegado o reino da vida e derrubado o poder da morte. Um outro nascimento apareceu, tal como uma nova vida, uma outra maneira de ser, uma transformação da nossa própria natureza. Esse nascimento não é obra «nem do desejo do homem, nem do desejo da carne, mas de Deus» (Jo, 1,13). Eis o dia que fez o Senhor (Sl 117,24). Dia bem diferente dos do início, pois nesse dia Deus fez um céu novo e uma terra nova, como diz o profeta (Is 65, 17). Qual céu? O firmamento da fé em Cristo. Qual terra? O coração bom, como diz o Senhor, a terra que se impregna da chuva que desce sobre ela, a terra que faz crescer colheitas abundantes (Lc 8,15). Nesta criação, o sol é a vida pura; as estrelas são as virtudes; o ar é uma conduta límpida; o mar é a riqueza da profundidade do conhecimento e da sabedoria; a erva e a folhagem são a boa doutrina e os ensinamentos divinos de que se alimenta o rebanho, quer dizer, o povo de Deus; as árvores com fruto são a prática dos Mandamentos. Nesse dia é criado o homem verdadeiro, aquele que é feito à imagem e semelhança de Deus (Gn 1,27).
Não é todo um mundo que inaugura para ti «este dia que fez o Senhor»? O maior privilégio deste dia de graça é que destruiu a morte e deu vida ao primogênito dos mortos... Que bela e boa notícia! Aquele que por nós se tornou como nós, para fazer de nós seus irmãos, conduz a sua própria humanidade para o Pai a fim de levar consigo todos os da sua raça.


