*Moisés reza e Josué luta 1. Contemplativos na ação a) Considerações sobre Êxodo 17, 8 – 18 (ver Plano Geral do Retiro) Estamos diante de um texto muito conhecido e que para nós tem um significado importante: trata-se da identidade da Associação Javé Nissi. Estamos diante dos dois aspectos da vida cristã: a oração e a ação b) O desafio a ser respondido Vivemos num mundo em que é muito fácil fazer uma dicotomia entre a reflexão e a ação. Caímos, assim, num intelectualismo ou num ativismo que não conduzem a nada: uma reflexão alienada e desengajada ou uma ação irrefletida, sem fundamento e sem sentido crítico. c) Nossa resposta O “contemplativo na ação” é aquele que: 2. Necessidade fundamental a) Experiência de Deus Para atingirmos tal ideal precisamos buscar uma experiência profunda de Deus, profunda e transformante. b) Dois processos Na busca desta experiência fundamental, distinguimos dois processos: da interiorização e do discernimento. c) Por que precisamos da interiorização Para conhecer alguém é preciso ir mais além de seu exterior. Para conhecer Jesus Cristo é preciso interiorizá-Lo. O conhecimento é dado pela capacidade de amar, ou seja, pelo amor. d) Por que processo de discernimento
O fato de luta contra Amalec nos leva a indagar:
Essa dicotomia aparece também na Igreja: um refugiar-se somente no espiritualismo ou na ação pastoral quando, na realidade, ambos deveriam interpenetrar-se e completar-se.
Santo Inácio desejou que seus companheiros fossem fundamentalmente "contemplativos na ação". É também esse o ideal da vida cristã e de quem deseja vivenciar a experiência da vida cristã. Superar a dicotomia e entrar no processo dialético da ação-reflexão é um desafio para todos aqueles que pretendem tomar consciência da realidade, engajando-se numa permanente renovação.
Uma é ponto de referência para a outra, ocasião de revisão, enriquecimento, questionamento, relativização e crescimento e vice-versa. Oração e apostolado se inter-relacionam e complementam. A ação pastoral brota da oração, é por ela questionada, nela reencontra seus critérios e revê sua opção. A ação, por sua vez, prova a oração, enriquece-a e questiona-a.
O encontro pessoal com Deus, em Jesus Cristo, leva o homem a inserir-se positiva e plenamente na História da Salvação, que é a história do homem salvo e reconciliado em Jesus Cristo, Filho e Irmão. É buscar uma inserção cada vez maior e mais profunda nos grande horizontes da Revelação: o trinitário, o cristocêntrico e eclesial.
Processos que são interligados. Pelo primeiro, através da oração procuramos alcançar os pensamentos (no sentido de Sto. Inácio: as moções espirituais - muito menos que idéias - trazem consigo sugestões que impelem imediatamente a agir) e penetrar os mistérios, presentes em nosso interior.
A partir da interiorização chega-se ao segundo processo, o discernimento, quando perante esses pensamentos, descortino e analiso meus movimentos interiores, minha realidade e história, no jogo constante da gratuidade divina e liberdade humana.
Pode-se distinguir três níveis na pessoa humana: o periférico, o psicológico e o espiritual.
O periférico é o mundo dos sentidos, das coisas. Nosso mundo é muito exteriorizado. Se vivemos na periferia "fazemos coisas" simplesmente. As pessoas tornam-se "números".
O nível psicológico é mais profundo. O homem reflete sobre a própria personalidade e a do outro, Revela-se e aceita a revelação do outro na amizade. No mundo psicológico dão-se os "bloqueios" para quem não se abriu à amizade
O espiritual é “o mundo interior”, da totalidade, de "coração” no sentido bíblico. Aí se dá a revelação de Deus.
Viver a dimensão espiritual da vida não significa rejeitar os níveis anteriores e sim integrá-los, assumindo-os na dimensão do Senhor.
Santo Inácio dá grande importância à interiorização, insiste que o exercitante tenha mais tempo para "sentir e gostar as coisas", já que "o que sacia e satisfaz á alma não é o muito saber, mas o sentir e saborear as coisas internamente". O “sentir" e o "saborear" estão no plano da vivência, da transformação da vida.
O importante é interiorizar os princípios básicos fundamentais. Não se avalia a oração pelo número de idéias, mas pela intensidade das moções de Deus.
O processo de interiorização pretende criar uma estrutura interna profunda que nos dê uma liberdade que, em última análise, é nossa capacidade de nos situarmos como pessoas no mundo de hoje.
Cada um de nós é uma realidade e possui uma história. É através do discernimento que se vai adquirindo sensibilidade às experiências internas e à sabedoria, que é dom do Espírito.
Assim, o discernimento não é um ato isolado, mas uma constante, uma atitude de vida. Supõe que se tenha como base da vida não critérios teóricos, mas um critério existencial: a Pessoa de Jesus Cristo.
Quem vive em clima de discernimento age segundo as convicções e não ao sabor das sensibilidades, ou paixões. A fé se situa no plano das convicções.
Na linha da sensibilidade deve-se agir suavemente: aceitar que mudamos e que temos dificuldades de caminhar.
No plano das convicções deve-se agir fortemente: é preciso ter pontos fortes que fundamentam nossas convicções. É preciso entender a vida humana baseada em suas experiências. Deus respeita nossa liberdade, mas suas exigências são radicais.
No discernimento o “sentir” não é algo simplesmente afetivo. Esta palavra, para Santo Inácio, tem dois significados:
